Na direção do outro: neste Setembro Amarelo, o que podemos fazer sobre o bullying na escola?

por EQUIPE CLOE
Publicado em 20 de setembro de 2021.

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“Geral! Geral! Geral!”. Esse era o grito que eu ouvi muitas vezes no ensino médio (na verdade, no colegial, porque isso era nos anos 80), quando meus colegas de escola, com livros didáticos nas mãos, juntavam-se em volta de outro e lhe batiam na cabeça. A bem da verdade, podia-se “dar geral” com as mãos abertas, mas nunca com as mãos fechadas. Se não, era falta de respeito…

Certa vez, em uma aula de química orgânica, depois de eu responder algo errado em voz alta, o professor olhou sorrateiramente aos demais e disse “bem, meus queridos, só uma palavra pode ser dita diante desta resposta ridícula: geral!” E lá fui eu cobrir a minha cabeça, para me proteger daquela bordoada autorizada que os demais vieram aplicar em mim.

De maneira geral, a experiência de sala de aula era ruim, para mim e para muitos outros alunos. Eu estudava e tirava boas notas, mas, muitas vezes, me sentia fazendo algo que não entendia e estudava exclusivamente para meus pais e professores não ficarem bravos comigo. E, para não levar geral dos colegas. E você? Também sofreu bullying? E soube, no momento, identificar que isso estava acontecendo? E os teus filhos? Como você sabe que não estão sofrendo bullying na escola?

Em 2018, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) fez uma investigação sobre bullying, com estudantes com 15 anos de 79 países que fizeram o exame de proficiência internacional do PISA em leitura, matemática e ciências. A OCDE perguntou aos estudantes coisas como: quantas vezes os outros estudantes te deixaram fora das atividades de propósito?, quantas vezes zombaram de você?, quantas o ameaçaram?, tiraram ou destruíram suas coisas?, te agrediram fisicamente? ou espalharam boatos desagradáveis a teu respeito?

Quase um terço (29%) dos estudantes brasileiros relataram ter sofrido bullying pelo menos uma vez por mês, contra quase um quarto (23%) em média nos países da OCDE. Além disso, 12% dos estudantes brasileiros foram classificados como sendo vítimas frequentes de bullying (contra 9% em média nos países da OCDE).

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), entre os alunos do 9º. ano do Ensino Fundamental (antiga 8ª série do ginásio) que reportaram sofrer bullying, a maioria é constituída por meninos, de minorias étnicas e de origens humildes, tendo como principais causas declaradas a aparência física, raça e etnia, religião, orientação sexual e local de origem. Esses dados constam do relatório “A Educação no Brasil: Uma perspectiva internacional” da OCDE.

Do ponto de vista acadêmico, a investigação da OCDE indicou que estudantes que vivenciaram o bullying como vítima, agressor ou observador tiveram piores resultados educacionais. Em média, os estudantes brasileiros que reportaram ter sofrido bullying algumas vezes por mês pontuaram 24 pontos a menos do que os estudantes que sofreram menos bullying, considerando perfil socioeconômico dos estudantes e escolas. Para fins de comparação, a média dos estudantes em leitura foi de 413 pontos em leitura e, portanto, 24 pontos a menos é muito expressivo.

*Esse texto foi originalmente publicada no Estadão 

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